Coruja para Prefeito
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Em 31 de dezembro do ano passado, em Capão da Canoa, um destacamento da Polícia Militar recolheu uma grande quantidade de fogos de artifício que seriam usados para a comemoração da virada do ano. Motivo: a alegação de que o barulho dos fogos de artifício iria trazer danos à tranqüilidade e, talvez, à própria saúde de uma família de corujas cujo ninho se encontrava próximo ao local do evento.
Tal fato ganhou grande repercussão nos jornais, rádios e televisões e, na opinião de muitas pessoas, entre elas intelectuais, médicos, juristas, professores e outros, tratou-se de um verdadeiro marco de civilidade, um ato que enaltecia os direitos de cidadania, mesmo de um casal de corujas, contra a agressão provocada por uma sociedade que não se importava em desrespeitar o próximo desde que atendesse aos seus desejos individuais. Não se tratava, no fundo, de proteger um casal de corujas, mas de proteger os direitos dos cidadãos e, principalmente, das minorias.
Nesse feriado de páscoa, minha esposa e eu estivemos em Capão da Canoa. E fomos submetidos a uma agressão sonora muito superior à provocada por fogos de artifício. E não apenas por alguns poucos minutos de duração de um show pirotécnico, mas por mais de duas longas e torturantes horas. Na produção de um evento chamado Capão da Canoa Fest, a prefeitura incluiu quatro shows num palco armado ao lado do Baronda. Nosso apartamento fica a três quadras do local onde estava colocado o palco. Pois quando começou o show da quinta-feira, as janelas do nosso apartamento chegaram a tremer. Fechamos todas as aberturas mas não adiantou: nós simplesmente não conseguíamos ouvir a televisão ou sequer conversar normalmente. Sentados em duas cadeiras uma ao lado da outra, chocados com aquele absurdo, tínhamos que conversar aos gritos. E não houve jeito de conseguirmos dormir enquanto não terminou o referido show, já na madrugada. E no sábado foi ainda pior.
Não se trata aqui de questionar a qualidade das músicas, que para alguns era pior do que o espoucar de foguetes, morteiros e estrelinhas luminosas. E nem mesmo de condenar a realização do evento, cujos objetivos como divertimento popular e incentivo à economia de Capão da Canoa podem ser dos mais louváveis. Trata-se, isso sim, de perguntar aos nossos representantes públicos e àqueles cuja função é fazer respeitar a lei como é possível que um ato desse nível de agressão aconteça impunemente?
Ao que nos consta, existe uma lei que proíbe a emissão de sons com volume superior a oitenta decibéis em quaisquer condições. E é censo comum que, após as dez horas da noite, se faça silêncio para permitir que as pessoas descansem. Mas parece que as autoridades de Capão da Canoa não estão interessadas nem no cumprimento da lei, nem no respeito aos seus cidadãos.
Talvez, no final das contas, só nos reste mesmo eleger uma coruja para prefeito.
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Em 31 de dezembro do ano passado, em Capão da Canoa, um destacamento da Polícia Militar recolheu uma grande quantidade de fogos de artifício que seriam usados para a comemoração da virada do ano. Motivo: a alegação de que o barulho dos fogos de artifício iria trazer danos à tranqüilidade e, talvez, à própria saúde de uma família de corujas cujo ninho se encontrava próximo ao local do evento.
Tal fato ganhou grande repercussão nos jornais, rádios e televisões e, na opinião de muitas pessoas, entre elas intelectuais, médicos, juristas, professores e outros, tratou-se de um verdadeiro marco de civilidade, um ato que enaltecia os direitos de cidadania, mesmo de um casal de corujas, contra a agressão provocada por uma sociedade que não se importava em desrespeitar o próximo desde que atendesse aos seus desejos individuais. Não se tratava, no fundo, de proteger um casal de corujas, mas de proteger os direitos dos cidadãos e, principalmente, das minorias.
Nesse feriado de páscoa, minha esposa e eu estivemos em Capão da Canoa. E fomos submetidos a uma agressão sonora muito superior à provocada por fogos de artifício. E não apenas por alguns poucos minutos de duração de um show pirotécnico, mas por mais de duas longas e torturantes horas. Na produção de um evento chamado Capão da Canoa Fest, a prefeitura incluiu quatro shows num palco armado ao lado do Baronda. Nosso apartamento fica a três quadras do local onde estava colocado o palco. Pois quando começou o show da quinta-feira, as janelas do nosso apartamento chegaram a tremer. Fechamos todas as aberturas mas não adiantou: nós simplesmente não conseguíamos ouvir a televisão ou sequer conversar normalmente. Sentados em duas cadeiras uma ao lado da outra, chocados com aquele absurdo, tínhamos que conversar aos gritos. E não houve jeito de conseguirmos dormir enquanto não terminou o referido show, já na madrugada. E no sábado foi ainda pior.
Não se trata aqui de questionar a qualidade das músicas, que para alguns era pior do que o espoucar de foguetes, morteiros e estrelinhas luminosas. E nem mesmo de condenar a realização do evento, cujos objetivos como divertimento popular e incentivo à economia de Capão da Canoa podem ser dos mais louváveis. Trata-se, isso sim, de perguntar aos nossos representantes públicos e àqueles cuja função é fazer respeitar a lei como é possível que um ato desse nível de agressão aconteça impunemente?
Ao que nos consta, existe uma lei que proíbe a emissão de sons com volume superior a oitenta decibéis em quaisquer condições. E é censo comum que, após as dez horas da noite, se faça silêncio para permitir que as pessoas descansem. Mas parece que as autoridades de Capão da Canoa não estão interessadas nem no cumprimento da lei, nem no respeito aos seus cidadãos.
Talvez, no final das contas, só nos reste mesmo eleger uma coruja para prefeito.
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