segunda-feira, 25 de novembro de 2002


Afinal, o que estou fazendo aqui?

Ouvi falar dessa nova (agora já velha) mania dos blogs tempos atrás e não dei muita bola. A perspectiva de gente entediada, desmiolada ou simplesmente desocupada destilando suas mediocridades cotidianas em um diário público me parecia ridícula. Provavelmente chata às raias do suicídio.

Mas talvez tudo seja uma questão de timing. Nossas convicções inabaláveis e certezas defendidas à golpes de intolerância muitas vezes são apenas o resultado de uma visão parcial através de uma pequena fresta das circunstâncias. Um dia a gente acorda e mete o olho pelo buraco da janela num ângulo diferente e enxerga uma árvore que nunca viu. Ou que viu apenas o galho torto e não a flor viçosa sendo obscenamente chupada por um colibri.

Escrevo, sempre escrevi e, atualmente, ando meio obsessivo. Freqüento alguns grupos do yahoo e acho que estou começando a chatear algumas pessoas. Então lembrei que a chateação privada é um porre, mas que a chateação pública é, senão suportável, pelo menos moralmente defensável. Parodiando João Cabral de Mello Neto, são os sete palmos de liberdade que me cabem nesse latifúndio.

Então revisitei alguns blogs e acabei achando coisa de boa qualidade. Tem o do Galera, um ex-colega da Oficina de Criação Literária do Luiz Antônio de Assis Brasil (http://www.exquisite.com.br/galera). Acompanho o trabalho dele desde lá e gosto do seu texto. Da mesma turma do extinto Cardosonline, um fanzine que fez sucesso, tem o blog do Cardoso (http://www.exquisite.com.br/cardoso), da Clarah e muitos outros. O blogspot e o blogger estão cheios das coisas mais esquisitas, babacas e até interessantes. Algumas, vejam, bem inteligentes. É uma comunidade repleta de criatividade, insanidades e muito lixo, também.

Fico em dúvida se essa fauna é formada por voyers ou exibicionistas. Mas há realmente diferenças notáveis nas suas naturezas complementares? Não está comprovada a tese de que os opostos tanto se afastam que acabam se encontrando do outro lado de suas diferenças?

Enfim, reflexões dispensáveis. Que, no fundo, foi o que me trouxe aqui.

Kleber.

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